17 Janeiro 2018

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O passado e a lição do Zé para o presente | Blog Torcedor da Portuguesa

Olhar para o passado é crucial, mas desde que isso ajude a entender o presente e a evoluir para construir um futuro. Zé Roberto fez história ao decidir vestir a camisa da Portuguesa novamente mesmo após ter se aposentado. Um dos grandes momentos rubro-verdes, o maior para muitos jovens e um resgate extremamente necessário. O principal deste reencontro com o ídolo, porém, não foram as jogadas ou o impressionante carinho à arquibancada. Mas a mensagem que ficou.

 

Zé Roberto teve uma personalidade enorme ao aceitar vestir de novo a camisa que o cansagrou. Ele já havia encerrado a carreira e iniciado uma nova função no futebol, jutamente no rival Palmeiras. Mesmo assim, sendo também ídolo da outra torcida, não se acanhou ao declarar o amor pela Lusa. O craque não tinha nenhuma obrigação em fazer isso e, como profissional, poderia até cobrar se quisesse. No entanto, fez tudo com imensa boa vontade e atenção aos lusitanos.

 

 

O eterno lateral-esquerdo da Portuguesa fez questão de treinar, conhecer o elenco, participar das palestras, conceder coletivas, visitar o museu do clube, participar de uma sessão de autógrafos e até mesmo encarar jornalistas após uma derrota. Zé Roberto enfrentou, inclusive, uma pressão enorme para permanecer na Lusa para a disputa da Série A2 do Campeonato Paulista. Já era muito o que ele estava fazendo, mas o desespero e a esperança da arquibancada falavam mais alto.

 

O ídolo fez a torcida se animar, voltar a sorrir e ir em família ao Canindé. Fez com que os lusitanos lembrassem, mesmo que por alguns instantes, qual é a Portuguesa que todos aprendemos a amar. É neste ponto que a compreensão do retorno de Zé Roberto deve ser clara e objetiva. Assim como é necessário entender o recado que fica da volta do ídolo, é também preciso assimilar a frustração na decisão da Copa Rubro-Verde. Trata-se de um paralelo inevitável a ser traçado por todos.

 

Não houve um torcedor sequer a sair do primeiro jogo sem comentar que o nível do futebol de Zé Roberto estava muito acima do restante dos jogadores. A maioria das conversas era de quanto tempo levou para que passes, cruzamentos e domínios de bola como aqueles voltassem a ser vistos no Canindé. Um jogador de 43 anos voltou para mostrar também o abismo que existe entre a Portuguesa atual e aquela na qual ele despontou. E o abismo para a maior parte dos clubes brasileiros.

 

A Lusa está sem divisão e sem competição nacional. O principal desafio do clube é buscar uma mísera vaga em uma Série D de Campeonato Brasileiro. A queda foi tão vertiginosa e rápida que muitos não perceberam a gravidade da situação. Já há uma distância enorme, inclusive, da Portuguesa que disputou a Série C. Não se atrai mais jogador algum, perde-se atleta para qualquer clube e os métodos de trabalho têm de ser aqueles que nunca foram praticados no Canindé.

 

 

Zé Roberto escancarou isso. Não será imaginando a Portuguesa dos anos 1990 que se reconstruirá o clube para um centenário em 2020. A frustração na Copa Rubro-Verde prova, mais uma vez, que é preciso encarar a realidade atual. Não adianta achar que camisa ou nome resolverão alguma coisa. Nem que bater o peito e dizer entender de futebol dará resultado. Muito menos que haverá salvação fazendo as mesmas coisas, trazendo o mesmo tipo de jogadores, ou esperando resultados milagrosos da noite para o dia. A Lusa está no fundo do poço.

 

É preciso olhar para o passado que Zé Roberto representa para duas coisas: enxergar de uma vez por todas o tamanho a que a Portuguesa foi reduzida nesses anos e entender acima de tudo a necessidade de esse clube de tanta história ressurgir. Somente compreendendo o tamanho atual da Lusa, desse time que acompanhamos no dia a dia de quedas e eliminações, é que surgirá alguma chance de reconstrução. Não será um técnico, um jogador ou um dirigente que fará tudo mudar. Trata-se de um trabalho planejado, estruturado e profissional.

 

Não devemos agradecer a Zé Roberto apenas por esse retorno. Mas, principalmente, por nos lembrar do céu e nos mostrar o abismo. O primeiro, quase nem recordávamos mais. O segundo, parece que resistimos a enxergar racionalmente. A torcida foi extraordinária na recepção ao ídolo. Não poderia ter sido diferente. Assim como Zé Roberto merecia esse momento tão marcante e emocionante, a torcida merecia reencontrar um ídolo e prestar homenagens. Não havia receio de "cortina de fumaça" que pudesse tirar isso dos dois. Seria cruel.

 

Zé Roberto não precisou de qualquer estardalhaço para reapresentar à torcida a Lusa grande, tracional e forte. E foi assim, na sutileza, que mostrou a atual situação. Que não é do clube vice-campeão brasileiro, tricampeão paulista, bicampeão do Rio-São Paulo ou três vezes Fita Azul. Mas uma Portuguesa de Série A2 e de Copa Paulista. Um time que, se não se encarar dessa forma e não se profissionalizar, não sairá do buraco. Que exemplo maior de profissionalismo que Zé tivemos ultimamente? Até nisso o camisa 11 foi um exemplo, mesmo que silecioso.

 

 

A Lusa perdeu o título da Copa Rubro-Verde para a Portuguesa-RJ por 3 a 1, nos pênaltis, após um empate sem gols e sem empolgação. Mesmo assim, duas horas depois, os torcedores faziam fila no clube para um autógrafo de Zé Roberto. Todos reclamavam da situação atual e criticavam a diretoria, mas se emocionavam e saíam como crianças da foto com o ídolo. Uma "cortina de fumaça"? Tudo depende de como olhar para o passado. Ali, pelo menos, a mensagem que ficava era de que os torcedores sabiam separar a volta do ídolo do resultado do torneio.

 

O garoto que veio da periferia desacreditado, que ganhou no areião uma oportunidade e que fez dela um sucesso nos gramados. O jogador que, mesmo usado e desrespeitado por cartolas, voltou por gratidão. O último em atividade de uma das últimas grandes gerações. Obrigado, Zé! Que seu retorno nos faça, de uma vez por todas, saber olhar para o passado e entender o futuro. Desculpe se o clube que você encontrou não é mais o mesmo de antes. Desculpe por não poder levantar uma taça no Canindé. No fim, foi perfeito. Afinal, a torcida premiou você com a única coisa que ainda restou depois desses anos todos: o amor rubro-verde.

 

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References

  1. ^FACEBOOK (www.facebook.com)
  2. ^ACERVO DA LUSA (www.facebook.com)
  3. ^RUBRO-VERDE ESPETACULAR (acervodabola.com.br)

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