22 Fevereiro 2018

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Seriedade itinerante | Blog Olhar Crônico Esportivo

 

Segunda-feira, dia de falar em coisas sérias, mesmo que seja a segunda-feira de Carnaval.

A seriedade que esse texto aborda, entretanto, é uma seriedade itinerante, uma seriedade que passeia, que ora existe, ora não. Então, sem dúvida, essa segunda carnavalesca é um dia tão bom quanto outro qualquer para falar sobre essa seriedade.

 

 

Uma competição de futebol por pontos corridos, disputada em dois turnos, proporciona igualdade de condições a todos os participantes. Um jogo lá, na casa do adversário, um jogo cá, na nossa casa. Igualdade que permanece mesmo quando o jogo é afetado por eventuais problemas climáticos: chuva mais forte, calor ou frio acima do normal, ventos, pois os dois times são afetados, até porque muda o lado do campo na metade...

O futebol, porém, é um esporte criado e desenvolvido para ser jogado ao ar livre e em gramado, portanto sem as condições artificiais de pisos sintéticos e locais cobertos e protegidos e sujeito, desde o seu nascimento, às diferenças criadas pelo clima, além das pequenas imperfeições existentes mesmo nos melhores gramados. E o clima, bom ou ruim, afeta a todos, iguala a todos e faz parte do mais popular esporte do planeta.

 

Essas características do futebol contribuem e permitem os pequenos e grandes acasos, contribuem para as grandes surpresas, contribuem  para que o pequeno sobrepuje o gigante, cria uma expectativa permanente e impede ou dificulta a consagração da lógica simplista, pobre e burra, aquela que diz que o mais forte derrota o mais fraco, que o mais rico derrota o mais pobre.

 

No Brasil, porém, a igualdade de condições para todos os participantes é uma ficção na prática.

Essa ficção é ainda mais grave por atingir o Campeonato Brasileiro da Série A, a base de todo nosso futebol. Como se fosse uma pirâmide invertida, tudo começa e se refere a ele.

Por isso, se toda competição esportiva deve ser levada a sério e disputada justamente, isso deveria ser ainda mais verdadeiro para o caso do Brasileirão.

Infelizmente, porém, não é o que acontece e a isonomia é apenas um vocábulo meio esquisito e desconhecido.

 

 

Um time... Dois estádios

 

Alguns times jogam em dois estádios: um com “efeito alçapão” e outro com “efeito caixa”. Em tese, o adversário escolhido para jogar no estádio maior e sem o “efeito alçapão” leva uma vantagem em relação aos demais times.

Vejamos um exemplo hipotético: o time que joga em dois estádios tem pela frente dois adversários que lutam para escapar do rebaixamento e enfrenta um deles no estádio com o tal “efeito alçapão” e vence. O outro adversário é enfrentado no estádio com “efeito caixa” e...

O dono da casa, ou melhor, o dono do mando é derrotado ou empata, apesar de mais torcida, apesar de maior renda. Será que a ausência do “efeito alçapão” influiu?

É provável.

E, assim acontecendo, um time terá sido condenado ao rebaixamento porque seu adversário direto foi favorecido na disputa. Pode até acontecer de o rebaixamento se dar por um mísero ponto de diferença em relação ao adversário em condições parecidas, mas que empatou com o time que jogou no campo com “efeito caixa”.

 

Mudemos de rebaixamento para disputa de título...

Ou a conquista de uma vaga para disputar a Copa Libertadores...

Dois times numa disputa dura, ponto a ponto, podem ter na escolha do estádio por um adversário comum o fator de desequilíbrio.

Onde fica a isonomia nesses casos?

 

 

Cinco mandos em outros estados

 

O Conselho Técnico da CBF, formado pelos clubes da Série A, aprovou a liberação de até 5 jogos de um time fora de seu estado. Ou seja, um time pode mandar 5 de seus 19 jogos fora de sua sede e até mesmo fora de seu estado.

Para amenizar tamanho absurdo o Conselho restringiu tal prática apenas até a 33ª rodada, inclusive. E o adversário precisa concordar com a mudança.

 

Cinco jogos!

Mais uma medida que quebra, ou melhor, que joga no lixo a isonomia que deveria nortear a disputa de nossa mais importante competição, aquela que é a base para todo nosso futebol: o Campeonato Brasileiro da Série A.

Lembra do hipotético exemplo anterior sobre os dois estádios?

Vejamos, então, um outro exemplo hipotético...

 

Um time resolve vender seu mando para uma empresa de Manaus. Esse time, provavelmente, será do Sudeste ou do Sul do país, mas mesmo que seja de Recife, digamos, a viagem é complicada.

A distância é enorme, o tempo de voo é grande e, na prática, entre sair do CT e ir para o aeroporto, aguardar o embarque, viajar, descer em Manaus, chegar ao hotel, gasta-se algo como um mínimo de 10 horas.

Ou seja, um dia inteiro. O clube que vai jogar em Manaus vai gastar um dia para ir e outro dia para voltar. Dependendo da tabela, poderá ir numa terça ou segunda depois de jogar no domingo, retornando na quinta e já tendo outro jogo no sábado ou no domingo.

Tão itinerante como podem ficar nossos times é também a seriedade do Campeonato Brasileiro.

 

 

Shows no gramado... Mas não de futebol

 

Outro problema: a qualquer aceno de um grupo musical, nossos times correm a ceder seus estádios. Vários jogos são transferidos e no retorno o gramado nunca está em boas condições, mesmo quando os dirigentes prometem que o show não afetará o gramado.

Entra dinheiro no caixa dos clubes, sempre necessitados, o que nada mais é que o resultado de anos e décadas de más gestões. Por isso, em troca do vil metal, como antigamente muitos se referiam ao dinheiro que era, geralmente, motivo para desgraças as mais diversas, os clubes relegam a segundo, terceiro, quarto plano a sua razão de ser, a paixão de milhões: o futebol.

É natural e previsível que essas mudanças de locais de jogo quebram, também, a isonomia da competição.

Da mesma forma que milhares de pés e centenas de tablados cobrem, sufocam e esmagam o gramado, o mesmo acaba acontecendo com a paixão dos torcedores.

 

 

O certo, o ideal, o esportivamente correto, principalmente para os campeonatos Brasileiros, é que seja praticada a fórmula “1 Time, 1 Estádio”.

Já seria um bom começo para um futebol mais sério: 

1 Time, 1 Estádio. Sempre.

 

Bom Carnaval a todos.

 

Leia Mais http://globoesporte.globo.com/blogs/especial-blog/olhar-cronico-esportivo/post/seriedade-itinerante.html

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